
Porto de Chancay cresce como hub regional em meio a disputa geopolítica
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- Puerto de Chancay: identifican 1,211 hectáreas en zona de influencia para inversiones
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O Porto de Chancay, no Peru, se consolida como um novo hub logístico regional com a participação majoritária da armadora chinesa Cosco Shipping Ports Limited, que controla 60% do projeto. Seu desenvolvimento gerou controvérsia geopolítica, já que os Estados Unidos demonstraram interesse em investir no país para contrabalançar a influência chinesa na região, segundo explicou Erika Schoch, consultora estratégica marítima para a América Latina e o Caribe na Gallagher Re. Paralelamente, a estratégia da China na América Latina combina investimentos em infraestrutura, tecnologia e mecanismos de cooperação, entre os quais Chancay figura como um dos projetos mais destacados.
Riscos para o setor segurador
Segundo Schoch, o crescimento de Chancay obriga as seguradoras e resseguradoras a avaliar novos cenários de risco, como a probabilidade de um tsunami impactar o porto. A especialista apontou que as seguradoras devem definir quem segurará as embarcações que operarem ali e quais apólices serão necessárias, já que os exportadores que hoje despacham suas cargas pelo Callao poderiam migrar seus envios para o norte do país, o que implicaria modificar a logística de produtos como os aspargos.
Expansão chinesa na região
Um relatório divulgado por uma câmara binacional equatoriana explicou que, além de Chancay, em 2025 a China anunciou para a CELAC uma linha de crédito de 9.200 milhões de dólares, junto com novos programas de cooperação. No Equador, o Tratado de Livre Comércio com a China abre oportunidades de exportação, embora a análise alerte sobre o risco de uma maior dependência de matérias-primas, citando as experiências do Peru e do Chile como referência frente aos desafios de diversificação. O relatório da Human Rights Foundation propõe que essa combinação de vínculos econômicos, tecnológicos e culturais busca consolidar a presença de Pequim na região.
Impacto no mapa portuário regional
O desenvolvimento de Chancay também interpela outros países da costa do Pacífico. No Chile, o acadêmico Álvaro Peña sustentou que o porto peruano desafia o país a fortalecer sua conexão com a Ásia, embora tenha ressaltado que a competitividade de cada rota dependerá do desempenho conjunto de tarifas, frequências e tempos logísticos. Entre janeiro e julho de 2026, Chancay movimentou 246.452 TEU, 74% mais que no mesmo período de 2025, impulsionado em parte pelo crescimento do transbordo regional. A carga equatoriana já utiliza a rota Guayaquil-Chancay-Xangai, com um trânsito próximo de 27 dias, o que favorece as exportações de banana, camarão e cacau.
Investimento em terrenos adjacentes
Paralelamente, o Ministerio de Vivienda, Construcción y Saneamiento, por meio da Superintendencia Nacional de Bienes Estatales, identificou 1211 hectares em seis imóveis estratégicos localizados na área de influência do porto, mediante um levantamento cadastral realizado com drones. O ministro Mauricio Arnillas assinalou que a informação permitirá avaliar a eventual destinação desses terrenos, incluindo sua venda por leilão público, para impulsionar novos investimentos na região.
Armadoras ainda à margem
Apesar do crescimento de Chancay, nem todas as armadoras incorporaram o porto às suas operações. Gilberto Santos, gerente-geral da ONE Perú, explicou que a armadora Ocean Network Express concentra cerca de 80% de sua carga no Callao e não contempla, no curto prazo, somar uma escala em Chancay. "Não está em nosso pipeline nenhuma operação que vá para lá de maneira efetiva no curto prazo", ressaltou Santos, que acrescentou que, para a companhia, é mais eficiente concentrar a carga em um único porto do que distribuí-la entre os dois terminais.
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