
Relatório do Projeto STEER defende que a experiência dos marítimos oriente a tecnologia marítima
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O The Nautical Institute, com o apoio da Lloyd's Register Foundation, publicou o relatório inicial do Projeto STEER, intitulado 'The evidence, the gaps and the way forward', que marca a conclusão da fase de pesquisa fundacional do projeto. O documento conclui que a tecnologia a bordo não opera de forma isolada: os seus efeitos sobre a segurança, a carga de trabalho, as competências e o bem-estar dependem de como é concebida, implementada, apoiada e mantida, e alerta que, frequentemente, a tecnologia desloca o risco em vez de eliminá-lo.
Dados de sinistralidade
O relatório baseia-se numa revisão de 471 casos de sinistralidade marítima ocorridos entre 2005 e 2025, dos quais 43,1% envolveram pelo menos um fator humano associado a equipamentos e condições de trabalho. Entre os 35 casos em que a tecnologia foi identificada como causa direta, constataram-se falhas na gestão da segurança em 89% e recursos insuficientes em 77%. Segundo uma das fontes, a análise de sinistros foi realizada pela University of Strathclyde e mostra que os incidentes ligados à tecnologia costumam resultar de fragilidades organizacionais, como formação inadequada, procedimentos deficientes e supervisão fraca, mais do que de falhas puramente técnicas do equipamento.
O Capitão David Patraiko, diretor de Projetos do The Nautical Institute, afirmou que os benefícios da tecnologia não podem ser avaliados apenas pela sua capacidade técnica, mas sim por como os sistemas funcionam em operações reais e como afetam as pessoas que precisam de os utilizar. Por isso, acrescentou, envolver os marítimos no desenho, na introdução e no desenvolvimento contínuo da tecnologia aumenta as hipóteses de que esta venha a apoiar operações mais seguras, em vez de gerar novos riscos ou pressões adicionais.
O que preocupa os marítimos
O relatório assinala que os marítimos não resistem ao progresso tecnológico em si, mas que as suas preocupações estão relacionadas com sistemas difíceis ou mal apoiados, familiarização insuficiente, interfaces inconsistentes e excesso de alarmes que não refletem a realidade das operações a bordo. Um oficial de náutica indiano entrevistado para o projeto afirmou que a tecnologia não deveria substituir os marítimos, mas sim reforçar a sua experiência. O documento acrescenta que a digitalização e a automação podem transformar a carga de trabalho em vez de simplesmente reduzi-la, ao gerar duplicação de tarefas, maior exigência administrativa e carga cognitiva adicional.
Metodologia e recomendações
A investigação apoiou-se em 105 estudos académicos, 55 publicações do setor e 471 relatórios de sinistros, além de entrevistas, visitas a navios, workshops, webinars e inquéritos junto de marítimos e outros profissionais marítimos. O Dr. Tim Slingsby, diretor de Competências e Educação da Lloyd's Register Foundation, afirmou que ouvir quem é diretamente impactado pelas novas tecnologias é fundamental para colocar as pessoas no centro das decisões. Entre as recomendações iniciais, o relatório pede maior participação dos marítimos no desenho e na implementação da tecnologia, melhor familiarização específica por navio e mais atenção à fadiga por alarmes, deixando ainda identificadas lacunas de conhecimento sobre inteligência artificial, monitorização remota e o impacto da automação nas competências a longo prazo.



