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O Irão declarará nos próximos dias uma nova zona marítima "restrita" fora do Estreito de Ormuz, conforme afirmou Mohsen Rezaei, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irão, alertando que qualquer navio que entrar na área será incluído numa lista de sanções.
Numa entrevista televisiva, Mohsen Rezaei indicou que a zona começará a partir da linha de bloqueio da Marinha dos Estados Unidos e se estenderá para partes do Golfo, de acordo com a televisão estatal iraniana Press TV.
"Qualquer navio que entrar nesta nova zona será incluído numa lista de sanções", afirmou a autoridade iraniana.
Rezaei também salientou que o Irão e Omã assinarão um acordo nos próximos dias sobre o novo corredor através de Ormuz, com os seus pontos de entrada e saída sob controlo iraniano.
O secretário do conselho de segurança assegurou que o Estreito de Ormuz está "completamente fechado e sob o controlo das forças armadas", classificando como "grande mentira" a afirmação do presidente americano Donald Trump de que a estratégica via navegável permanecia aberta.
"Antes de o Irão fechar o estreito, mais de 100 navios que transportavam mais de 100 milhões de toneladas de carga o cruzavam diariamente", indicou Rezaei, acrescentando que atualmente apenas transitam pela via marítima entre sete e oito navios com bens essenciais para o Irão.
"Os americanos estão a tentar o contrabando de cinco a seis embarcações a um custo enorme, mas estes navios costumam ser atingidos", salientou a autoridade iraniana, sem oferecer mais detalhes.
Rezaei explicou que o Irão decidiu não afundar os navios porque transportavam petróleo e fazê-lo teria danificado o meio ambiente da região. Além disso, afirmou que o seu país testou com sucesso um novo míssil antinavio sobre uma embarcação da Marinha dos EUA 48 horas antes.
"Pela primeira vez, testamos o nosso míssil antinavio sobre um navio de guerra americano. Este míssil especial desencadeou um inferno para os americanos e eles fugiram", declarou Rezaei, sem identificar a unidade nem precisar o local do teste.
Por outro lado, rejeitou as afirmações de que o bloqueio económico dos EUA esteja a provocar uma fome generalizada no Irão. "A afirmação de que o bloqueio económico dos EUA está a causar uma grande fome no Irão é uma grande mentira", sustentou Rezaei à cadeia estatal iraniana IRIB.
"O governo iraniano tem-se preparado para isto há muito tempo e dispõe de reservas suficientes de alimentos e bens essenciais", complementou.
As tensões regionais intensificaram-se desde que os ataques entre os EUA, Israel e o Irão começaram em 28 de fevereiro, aos quais Teerão respondeu com lançamentos de mísseis e drones contra Israel e os interesses americanos em toda a região.
O Irão e os Estados Unidos assinaram em junho um memorando de entendimento mediado pelo Paquistão e pelo Catar, no qual se delineavam os passos para pôr fim às hostilidades, reabrir o Estreito de Ormuz e abordar as restrições económicas.
Desde então, ambas as partes acusaram-se mutuamente de incumprir os compromissos assumidos no memorando, enquanto persistem as tensões militares em paralelo às disputas por sanções e navegação através do Estreito de Ormuz.

