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Após uma década de negociações públicas e privadas, a localidade de Puerto Cisnes se prepara para receber, pela primeira vez, a escala de um cruzeiro de linha premium, abrindo formalmente uma nova escala para o turismo marítimo internacional nos canais austrais. O fato ocorrerá após uma década de esforços por parte das autoridades locais e da Empresa Portuária Chacabuco (Emporcha).
A embarcação confirmada para esta histórica escala é o Silver Cloud. Esta é uma embarcação de expedição pertencente à reconhecida cadeia internacional Silversea, que opera com capacidade para cerca de 300 passageiros e aproximadamente 200 tripulantes, caracterizados por um perfil de alto gasto e permanência em destinos de natureza.
A chegada não representa apenas a consolidação de um novo destino nas rotas que conectam a Patagônia, mas também a validação operacional do Terminal de Conectividade de Puerto Cisnes, infraestrutura pública administrada pela Emporcha por meio de um convênio tripartite com o Ministério de Transportes e Telecomunicações (MTT) e a Direção de Obras Portuárias (DOP).
Estratégia
O presidente da Emporcha, Eduardo Vera, explicou que esta abertura ao mercado de cruzeiros responde a um plano de trabalho articulado e de longo prazo com o município local, orientado a gerar confiança nos operadores marítimos internacionais.
"Comunicamos formalmente ao prefeito Francisco Roncagliolo que um esforço de gestão de quase uma década está dando frutos concretos. Conseguimos ganhar uma aposta de confiabilidade na gestão comunitária de Cisnes para receber em poucos meses um cruzeiro de linha premium. Isso abre a possibilidade real de perpetuar um negócio de recepção de passageiros do turismo marítimo internacional". Vera acrescentou que a conquista reflete "uma gestão pragmática, transparente e confiável, orientada a entregar resultados concretos às comunidades locais e ao desenvolvimento econômico regional".
Por sua vez, o prefeito de Cisnes, Francisco Roncagliolo, sublinhou o impacto do investimento público que preparou a comuna para este salto competitivo no setor de serviços: "Este resultado mostra o fruto de um trabalho de dez anos, onde executamos obras chave como a Costanera, a pavimentação de ruas e o recinto de atendimento de passageiros. Toda essa infraestrutura foi pensada com a expectativa de atrair cruzeiros. Hoje essa projeção se concretiza e nos desafia como comuna a ser receptores de excelência para dinamizar o comércio, o artesanato e os serviços locais".
Cais
Do ponto de vista operacional e de gestão de ativos, a chegada de embarcações de turismo permite diversificar as receitas e o uso da infraestrutura existente, que foi concebida originalmente para a conectividade e a cabotagem regional.
O gerente geral da Emporcha, Felipe Candia, detalhou as especificações técnicas do terminal e a proposta de valor para a indústria marítima: "Como empresa portuária, administramos este terminal construído pela DOP, que consiste em um cais flutuante e uma superfície superior a 500 metros quadrados. Esta infraestrutura não apenas garante a conectividade local, mas agora demonstra sua capacidade operacional para diversificar seu uso e prestar serviços complementares ao segmento de cruzeiros".
O executivo ressaltou que as instalações contam com áreas de fluxo de passageiros, sanitárias e de atendimento que garantem os padrões exigidos por linhas internacionais: "Estamos preparados para atender o Silver Cloud e garantir uma excelente experiência em terra aos visitantes, consolidando a eficiência operacional do recinto".
Com esta estreia operacional, a estatal Emporcha e a comuna de Cisnes buscam posicionar a zona não apenas como um ponto logístico de conectividade, mas como um polo rentável para o turismo de expedição de alta gama no cone sul.