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Os governos retornarão a Londres na próxima semana para outra rodada de negociações sobre a Estrutura Net-Zero da Organização Marítima Internacional, com os países ainda fortemente divididos sobre o futuro do histórico acordo climático da navegação.
O Grupo de Trabalho Intercessional da IMO sobre Emissões de Gases de Efeito Estufa de Navios se reunirá de 1 a 4 de setembro, antes da 85ª sessão do Comitê de Proteção do Meio Ambiente Marinho, que ocorrerá ainda este ano. As discussões se concentrarão nas mudanças propostas para a estrutura, diretrizes de implementação e regras de gases de efeito estufa do ciclo de vida.
No centro do debate está a estrutura acordada na MEPC 83, que combina requisitos progressivamente mais rigorosos de intensidade de combustível de gases de efeito estufa com um mecanismo econômico que precifica as emissões e recompensa navios que utilizam combustíveis de emissão zero e quase zero.
A estrutura deveria ser formalmente adotada em outubro passado, mas os governos adiaram a sessão extraordinária da MEPC por um ano, após negociações contenciosas e uma agressiva campanha dos EUA contra a medida.
As negociações continuaram, no entanto, com os governos tentando superar diferenças significativas sobre como as regulamentações finais devem ser. A reunião da próxima semana testará se ainda há apoio suficiente para a estrutura original ou se a IMO está caminhando para um compromisso substancialmente diferente.
A INTERCARGO, em um briefing pré-reunião, destacou quatro propostas concorrentes, juntamente com submissões adicionais buscando mudanças na estrutura.
A Libéria propôs a revisão mais significativa, vinculando os requisitos de Intensidade de Combustível de GEE (GFI) à disponibilidade, acessibilidade e escalabilidade de combustíveis comercialmente viáveis. Sua proposta substituiria em grande parte o mecanismo baseado no Fundo da IMO por Unidades de Excedente transferíveis que os navios poderiam negociar, depositar ou tomar emprestado. A Libéria e o Panamá também propuseram a concessão de Unidades de Excedente para melhorias verificadas de eficiência operacional e tecnológica, com o apoio aos países em desenvolvimento permanecendo voluntário.
O Brasil preservaria em grande parte a estrutura, mas suavizaria seu início, com reduções de GFI de 3% em 2029 e 4% em 2030 antes que uma trajetória mais acentuada comece. Ele mantém o sistema de conformidade de dois níveis, com Unidades Corretivas precificadas em US$ 100 e US$ 380 por tonelada de CO2 equivalente.
Tuvalu propõe uma abordagem mais rigorosa, com unidades do Nível 1 precificadas em US$ 300 por tonelada e do Nível 2 em US$ 380, juntamente com uma trajetória de GFI atingindo uma redução de 30% de conformidade direta e 65% de redução da meta base até 2035.
Austrália, Canadá, África do Sul e Reino Unido manteriam em grande parte a estrutura existente, incluindo o sistema GFI de dois níveis, Unidades de Excedente, recompensas por combustíveis de emissão zero e quase zero e o Fundo Net-Zero da IMO, enquanto adicionariam mais detalhes sobre a governança do Fundo e a distribuição de receita.
A China, por sua vez, busca uma linguagem mais neutra em termos de tecnologia que reconheceria a energia de terra, propulsão eólica e energia solar nos cálculos de GFI e forneceria maior flexibilidade sobre os incentivos.
Grande parte do desacordo centra-se no componente econômico da estrutura.
A Noruega, os estados insulares do Pacífico e os países europeus argumentam que o enfraquecimento do mecanismo de precificação reduziria os incentivos para investir em combustíveis alternativos e tornaria os objetivos de emissão da IMO mais difíceis de alcançar.
A Noruega rejeitou especificamente a proposta da Libéria de vincular os requisitos à disponibilidade de combustível comercial, argumentando que isso enfraqueceria a ambição e criaria incerteza regulatória.
A Libéria, por sua vez, levantou preocupações sobre a legalidade, custo e complexidade administrativa do Fundo proposto. Argumenta que permitir que os navios cumpram por meio de pagamentos não garante necessariamente a redução de emissões e poderia aumentar desproporcionalmente os custos de transporte para exportações de longa distância de países em desenvolvimento, especialmente commodities a granel.
A Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos levantaram preocupações semelhantes, argumentando que um preço uniforme do carbono teria efeitos desiguais no comércio global e imporia custos maiores a economias remotas, dependentes do comércio e em desenvolvimento.
Os riscos são significativos para a navegação, que tem pressionado por um regime global da IMO em vez de uma crescente colcha de retalhos de regulamentações regionais.
"Estabelecer a base regulatória agora é fundamental para garantir que esses investimentos levem a navegação na direção certa", disse Andreas Enger, CEO da Höegh Autoliners. "Apoiamos fortemente a IMO em seu trabalho em direção a medidas ambiciosas de médio prazo que possam atender à estratégia de GEE da IMO de 2023 e dar a certeza e credibilidade de longo prazo necessárias para a transição."
O CEO do Porto de Roterdã, Boudewijn Siemons, também pediu uma estrutura global, dizendo que a natureza internacional da navegação torna essencial um campo de atuação global.
Os governos também trabalharão na certificação, verificação e relatórios de combustíveis, incentivos para combustíveis de emissão zero e quase zero e na governança do Fundo Net-Zero da IMO proposto.
Espera-se que o mecanismo econômico gere aproximadamente US$ 10 bilhões a US$ 15 bilhões anualmente, tornando a forma como esse dinheiro é coletado e distribuído uma das questões politicamente mais sensíveis das negociações.
Brasil, República Democrática do Congo, Quênia, Ilhas Salomão e Tuvalu propuseram regras cobrindo a arrecadação e desembolso de receitas, recompensas por combustíveis limpos, infraestrutura, segurança alimentar e apoio a uma transição justa e equitativa. Mesmo a estrutura básica do mecanismo permanece indefinida, incluindo se ele, em última instância, opera como um "Fundo" ou uma "Facilidade" mais leve.
O grupo de trabalho também continuará o trabalho na estrutura de Avaliação de GEE do Ciclo de Vida da IMO, incluindo propostas que cobrem emissões a montante de combustíveis marítimos convencionais, mudança no uso da terra e gás natural renovável.
A reunião da próxima semana não resolverá a Estrutura Net-Zero. O grupo de trabalho reportará à MEPC 85, agendada para 30 de novembro a 3 de dezembro, onde os governos enfrentarão novamente a questão maior que ficou sem solução no ano passado: se ainda há terreno comum suficiente para transformar a estrutura em regulamentação global vinculativa.

